Com 'gatilho' na regra fiscal, servidor público não terá reajuste acima da inflação em 2027, diz ministro da Fazenda

Com 'gatilho' na regra fiscal, servidor público não terá reajuste acima da inflação em 2027, diz ministro da Fazenda — Politics | Versia.media

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou nesta segunda-feira (15) que o governo não terá condições de oferecer reajuste salarial acima da inflação aos servidores públicos em 2027, devido a um "gatilho" presente na regra fiscal das contas públicas.

A fala ocorreu durante sua participação no podcast Warren Política, apresentado pelo economista Felipe Salto.

"Temos o novo marco fiscal, e criamos um gatilho adicional. No ano que vem, não haverá ganho real para o servidor público, o que representa um avanço [em termos de controle de gastos] no primeiro ano de governo", afirmou o ministro da Fazenda, Dario Durigan.

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Entenda

O arcabouço fiscal, que estabelece a regra para as contas públicas, foi aprovado em 2023, no primeiro ano do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A norma limita o crescimento das despesas a 70% do aumento da receita, ou a 2,5% ao ano (acima da inflação).

➡️No final de 2024, no entanto, o Congresso Nacional aprovou um aperto adicional na regra, determinando que, em caso de déficit primário, fica proibida a concessão, ampliação ou prorrogação de incentivos ou benefícios tributários.

🔎 O déficit primário acontece quando as receitas provenientes de tributos e impostos são inferiores às despesas do governo, excluindo os gastos com pagamento de juros da dívida pública. Já o superávit primário ocorre quando as receitas com impostos superam as despesas – também desconsiderando os juros da dívida.

A regra estabelece que essa medida será aplicada no ano seguinte ao que for registrado um rombo nas contas do governo. E só poderá ser interrompida quando houver superávit primário. Como houve déficit fiscal em 2025, os gastos serão contidos por esse gatilho em 2027.

➡️O resultado negativo nas contas também serve como estopim para acionar limites ao aumento dos gastos do governo com pessoal (salários e encargos sociais, por exemplo, de servidores ativos, inativos e pensionistas).

📈 De acordo com a proposta, até 2030, essas despesas não poderão ter crescimento superior ao piso de reajuste das despesas permitido pelo arcabouço fiscal — 0,6% ao ano acima da inflação.

Dario Durigan — Foto: Washington Costa/MF

Acordo com servidores

Em 2024, o governo firmou um acordo com servidores do Executivo que inclui reajustes salariais aprovados ou em discussão no âmbito das Mesas Específicas e Temporárias de Negociação, além de reestruturações de carreiras. Na época, o acordo abrangia 98,2% dos servidores do governo federal.

Os acordos preveem aumentos salariais para os servidores em 2025 e 2026, com diferentes índices de correção. Algumas categorias fecharam negociações posteriormente, contemplando também reajustes escalonados.

Naquele ano, a ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, afirmou que os acordos não apenas garantiriam a reposição inflacionária para todo o mandato do presidente Lula, mas também proporcionariam um ganho real (acima da inflação esperada para os quatro anos).

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