
Ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) durante seminário na Câmara Americana de Comércio. — Foto: LEANDRO CHEMALLE/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDO
Pré-candidato à Presidência da República pelo partido Novo, Romeu Zema voltou a fazer críticas à relação do senador Flávio Bolsonaro (PL) com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
"Como eu poderia aplaudir alguém que se aproxima do maior banqueiro criminoso do Brasil? Acho difícil alguém querer aplaudir quem esteve, quem conviveu, com uma pessoa como ele", declarou em entrevista ao canal Brasil Paralelo, no YouTube.
No dia 13 de maio, quando conversas entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro vieram a público, Zema afirmou que o pedido de dinheiro para financiar o filme Dark Horse — sobre a trajetória de Jair Bolsonaro (PL) — era 'imperdoável'.
Dias depois, Zema recuou e disse que o episódio era "página virada". Agora, o ex-governador de Minas Gerais volta a criticar a postura do senador.
"Na minha visão, quem anda com criminoso merece ser observado com cautela", afirmou, destacando que jamais se encontrou com Vorcaro — mesmo tendo recebido uma doação de R$ 1 milhão do pai do banqueiro ao partido Novo, em 2022, antes das investigações envolvendo o banqueiro.
"Eu moro na mesma cidade que ele [Vorcaro], Belo Horizonte. Onde ele nasceu, onde tem esposa, filho, estudou. Adivinha quantas vezes eu o encontrei na vida? Quantas vezes ele pediu uma reunião comigo? Zero", disse.
Aliança com Caiado no primeiro turno
Indagado sobre a possibilidade de unir sua candidatura presidencial à de Ronaldo Caiado (PSD) ainda no primeiro turno, Zema mencionou alianças locais firmadas com o PSD e afirmou que essa hipótese não está descartada. No entanto, disse que, por ora, ele e o ex-governador de Goiás seguirão com suas candidaturas de forma separada.
"Tenho uma boa relação com o Caiado, tenho uma boa relação com o [Gilberto] Kassab [presidente do PSD]. Mais adiante, dependendo do que acontecer, nenhuma conversa está descartada", afirmou, garantindo que os dois estarão juntos no segundo turno.
Pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (10) mostra o presidente Lula (PT) na liderança no primeiro turno, com 39% das intenções de voto, seguido pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), que tem 29%.
Na sequência, aparecem o fundador do MBL, Renan Santos (Missão), e o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD), ambos com 3%. O deputado federal Aécio Neves (PSDB) e o ex-governador Romeu Zema (Novo) marcam 2% cada.
Crítica ao Bolsa Família
Ao falar sobre o Bolsa Família, Zema criticou o que chamou de "milhões de homens" que se recusam a aceitar ofertas de emprego para continuar recebendo o benefício.
"Eles querem continuar recebendo o Bolsa Família e trabalhando conforme a própria vontade, conforme a conveniência. Estamos formando uma geração de inúteis com esses homens agindo assim", declarou.
Questionado sobre a liberdade de expressão durante as eleições, Zema afirmou estar preocupado. Ele citou a suspensão de uma pesquisa de opinião que mostrava queda de Flávio Bolsonaro e uma investigação que responde por críticas a ministros do Supremo Tribunal Federal.
"Pela ação judicial que recebi, percebi que estão tentando me censurar", disse. "Fico muito preocupado. Estamos vendo uma tentativa crescente de silenciar quem discorda, usando o poder judicial como um poder de censura, mas vou continuar", afirmou.