
Depois de a Polícia Federal (PF) recusar pela segunda vez a proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro, investigadores alertam que o banqueiro não conseguirá evitar uma condenação.
Essa certeza decorre das evidências já coletadas pelas investigações da PF sobre as fraudes bancárias cometidas pelo Banco Master.
Caso Master: PF recusa segunda oferta de delação premiada de Daniel Vorcaro
Conforme investigadores, as fraudes bancárias realizadas na venda de carteiras de crédito fraudulentas do Banco Master para o BRB, com o intuito de capitalizar o banco de Daniel Vorcaro, já estão amplamente comprovadas e admitidas por ambas as partes.
No total, o Master vendeu R$ 12 bilhões em créditos falsos ao BRB, em uma operação que, segundo a PF, foi acertada entre Daniel Vorcaro e o ex-presidente do banco público de Brasília, Paulo Henrique Costa.
Essa operação, inclusive, teria envolvido acordos políticos entre integrantes do Centrão e o então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha. Ele nega a participação.
Banqueiro Daniel Vorcaro, em depoimento à Polícia Federal, nega irregularidades na gestão dos negócios do Banco Master — Foto: Reprodução/Polícia Federal
Delação do presidente do BRB
Se a delação de Daniel Vorcaro foi recusada pela PF — e deve ter o mesmo destino na Procuradoria-Geral da República —, a de Paulo Henrique Costa está em suspenso.
O termo de confidencialidade ainda não foi assinado, mas, conforme investigadores, pode ganhar mais relevância diante do insucesso das negociações com o ex-dono do Master.
A avaliação dentro da PF, da PGR e do gabinete do relator do inquérito do Master, André Mendonça, é que, se Daniel Vorcaro busca ganhar tempo ao negociar uma colaboração premiada frágil e cheia de lacunas, ele pode estar apostando em algo que talvez não se concretize.
Ou seja, contar com uma decisão futura que o tire da prisão e evite uma condenação de muitos anos atrás das grades pode ser extremamente arriscado.
Além disso, as investigações da PF sobre as fraudes bancárias e as conexões políticas do banqueiro continuarão até o segundo semestre. E elas devem gerar mais provas contra Daniel Vorcaro, o que agravaria ainda mais sua situação.